quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mata Atlantica se degradam.....


Litoral norte paulista sofre com invasões irregulares em áreas preservadas da Mata Atlântica
Loteamentos clandestinos degradam o meio-ambiente e aumentam o tráfico de drogas, em casas precárias instaladas em áreas proibidas de mata nativa


Sertão de Maresias-SP. Foto: Reginaldo Pupo/Divulgação



Desmatamento em Camburi-SP. Foto: Jorge Mesquita/Divulgação

Sertão de Maresias-SP. Foto: Reginaldo Pupo/Divulgação

Sertão de Maresias-SP. Foto: Reginaldo Pupo/Divulgação
O crescimento irregular de áreas desmatadas e construídas vem criando obstáculos nos objetivos de preservação da Mata Atlântica no litoral norte de São Paulo. Com a comercialização ilegal de terrenos em loteamento clandestinos, o número de invasões aumenta dia a dia, o que provoca também o crescimento do tráfico de drogas na região. Com 95% de sua área desmatada, a Mata Atlântica corresponde ao segundo ecossistema mais ameaçado de extinção no mundo – o primeiro é o da Floresta de Madagascar.

Eduardo Hipólito, secretário do Meio Ambiente de São Sebastião, entrevistado pelo portal almasurf.com, destacou duas frentes para identificação do crescimento do crime ambiental organizado na região, que estão exatamente na identificação de falhas na mata provocadas pelo surgimento de áreas clandestinas e o aumento da criminalidade na região, resultante do crescimento do tráfico de drogas. Segundo secretário, os loteadores promovem a aquisição do terreno ilegalmente, tendo conhecimento total do movimento que ocorre nas áreas – como, por exemplo, as brechas da rota de fiscalização ambiental. Devido à isso, a construção e ocupação dos lotes ilegais acontecem com extrema rapidez. Os novos moradores são geralmente pessoas de baixa renda, que migram de estados como a Bahia e Minas Gerais para o litoral norte paulista em busca de novas oportunidades de trabalho. Isto se deve justamente porque os municípios mais estruturados oferecerem benefícios à população, tais como escolas e hospitais públicos de boa qualidade. Contudo, na clandestinidade, os moradores irregulares não cumprem as regras padrões de impostos de tributos federais e municipais.
“Os traficantes protegem os moradores por se beneficiarem do crescimento populacional na região, o que os mistura aos demais pessoas ditas comuns. Recentemente tivemos um caso no qual notificamos um morador clandestino sobre a necessidade de se retirar do local, no entanto fomos ignorados. Agendamos e demos início à demolição da construção. Durante o trabalho, nossos fiscais foram ameaçados pelos traficantes locais e tivemos o prejuízo de três viaturas policiais destruídas e queimadas. Tivemos de recuar da ação, antes de conseguirmos derrubar as paredes por completo”, disse Eduardo ao almasurf.com.

Além dos aspectos negativos da ocupação propriamente dita e da retirada da vegetação, os moradores de áreas restritas correm riscos ao estabilizarem-se nas regiões desniveladas, de baixo nível ou de encostas. Em recente declaração ao veículo Ciclo Vivo, o presidente da Federação Pró-Costa Atlântica, Sérgio Pereiro de Souza, disse que o prejuízo para o município vai muito além das perdas ambientais. “Quando acontecem grandes inundações, as pessoas que são ribeirinhas perdem tudo e o Poder Público tem que socorrer. O custo é alto pra todos”. Eduardo Hipólito compartilha da mesma preocupação: “Ocorre também a perda da fauna e flora. Há muitos casos de contaminação de solo, pois as pessoas que ocupam essas áreas utilizam das águas dos rios e cachoeiras para fazer o lançamento de seus esgotos.”

Aos poucos, providências vêm sendo tomadas. Em Caraguatatuba, a prefeitura investe na ampliação de programas habitacionais e na contratação de mais fiscais. “Estamos investindo na construção de unidades populares. Fazendo várias parcerias com CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo] para que a gente possa ter unidades habitacionais com um capacidade de aquisição para população de baixa renda local, o que mexe também com a autoestima e valorização da dignidade das pessoas”, disse Paulo André Cunha, secretário adjunto de Meio Ambiente da cidade. Contudo, apesar do esforço, reconhece: “Todas as medidas que você acaba tomando não são suficientes para conter a demanda do problema.”

fonte:alma surf

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