“Os traficantes protegem os moradores por se beneficiarem do crescimento populacional na região, o que os mistura aos demais pessoas ditas comuns. Recentemente tivemos um caso no qual notificamos um morador clandestino sobre a necessidade de se retirar do local, no entanto fomos ignorados. Agendamos e demos início à demolição da construção. Durante o trabalho, nossos fiscais foram ameaçados pelos traficantes locais e tivemos o prejuízo de três viaturas policiais destruídas e queimadas. Tivemos de recuar da ação, antes de conseguirmos derrubar as paredes por completo”, disse Eduardo ao
almasurf.com.
Além dos aspectos negativos da ocupação propriamente dita e da retirada da vegetação, os moradores de áreas restritas correm riscos ao estabilizarem-se nas regiões desniveladas, de baixo nível ou de encostas. Em recente declaração ao veículo
Ciclo Vivo, o presidente da Federação Pró-Costa Atlântica, Sérgio Pereiro de Souza, disse que o prejuízo para o município vai muito além das perdas ambientais. “Quando acontecem grandes inundações, as pessoas que são ribeirinhas perdem tudo e o Poder Público tem que socorrer. O custo é alto pra todos”. Eduardo Hipólito compartilha da mesma preocupação: “Ocorre também a perda da fauna e flora. Há muitos casos de contaminação de solo, pois as pessoas que ocupam essas áreas utilizam das águas dos rios e cachoeiras para fazer o lançamento de seus esgotos.”
Aos poucos, providências vêm sendo tomadas. Em Caraguatatuba, a prefeitura investe na ampliação de programas habitacionais e na contratação de mais fiscais. “Estamos investindo na construção de unidades populares. Fazendo várias parcerias com
CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo] para que a gente possa ter unidades habitacionais com um capacidade de aquisição para população de baixa renda local, o que mexe também com a autoestima e valorização da dignidade das pessoas”, disse Paulo André Cunha, secretário adjunto de Meio Ambiente da cidade. Contudo, apesar do esforço, reconhece: “Todas as medidas que você acaba tomando não são suficientes para conter a demanda do problema.”
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