segunda-feira, 16 de julho de 2012

Menos carros, mais bicicletas



Esta semana o Diário Oficial do Estado publicou uma reportagem sobre ciclistas e acidentes de trânsito. Na matéria “Mais ciclistas, mais acidentes”,do destaque na capa do Diário, recomenda-se que ciclistas NÃO usem suas bikes para locomoção no trânsito de São Paulo. Por que? Porque no ano passado foram 3,4 mil ciclistas internados em hospitais gerando um custo de 3,2 milhões de dinheiros ao Estado. Junte esse valor ao montante gasto com criação e ampliação de ciclovias e bicicletários, além da compra de bicicletas para uso público, espalhadas pelas estações de metrô ou em pontos estratégicos pela cidade. O resultado dessa conta é a cara de bobo do contribuinte.

No primeiro semestre de 2012 foram tantos acidentes quanto no ano passado inteiro, o que significa que esse gasto será maior até o final deste ano. Mas também significa que há um aumento no número de bicicletas no trânsito, o que é considerado ruim. Como isso pode ser considerado ruim? Para mim, o número no aumento de bicicletas no trânsito é um reflexo do nível de consciência que começa a aparecer na população metropolitana. Sair de carro em São Paulo não é um bom negócio, principalmente entre as sete da manhã e as nove da noite. Mas espere! Se você vai pra Vila Madalena, Avenida Paulista, Rua Augusta, Itaim e Vila Olímpia esta indicação não serve. Tem trânsito carregado na madrugada, coisa que não vi nem nos meus tempos de um caipira em Nova Iorque. Tem gente por aí que pega trânsito no quarteirão da própria casa. Já imaginou isso? Você dá adeus ao porteiro de manhã vira a direita, anda vinte metros em primeira marcha e encontra aquela fila interminável de carros. Sim, já existe em São Paulo.




Tem mais bicicleta na rua, o que é bom. Nos mostra que as pessoas estão cansadas de trânsito, poluição e ainda, que querem glúteos mais firmes. Mas falta informação. Falta ensinar ao ciclista como trafegar, falta cobrar equipamento de segurança e o capacete é imprescindível. Falta informar ao motorista que o ciclista tem a preferência, que é preciso deixar uma distância de 1,5 m na lateral ao ultrapassar uma bicicleta e ainda assim reduzir a velocidade ao fazê-lo. Essas medidas já estão no código de trânsito e prevêem multas aos infratores, mas o que se vê por aí, ou o que não se vê por aí, é a lei sendo fiscalizada.

Percebe-se boa vontade do governo com relação às bicicletas. A ciclovia do Rio Pinheiros é uma das coisas mais legais que vi ultimamente na cidade. Ela é bastante longa, utiliza um espaço que era inutilizado antes e ainda fica separada da via para carros e motos. Existe a promessa de uma ciclovia de 13 quilômetros que ligará oito municípios da região metropolitana de São Paulo e isso é muito legal. Mas falta informação. Resta torcer, para que nos próximos anos, o gasto com hospitais seja substituído por gastos com campanhas de educação no trânsito.

fonte:Andre Hendges