terça-feira, 22 de novembro de 2011

Àreas de Preservação Permanente.


Preservar para construir


O loteamento em Ubatuba, no litoral paulista, permitia o desmatamento total do terreno. Hoje, a região é uma área de preservação permanente e nada pode ser tocado. No intervalo entre os dois extremos, o arquiteto Eduardo Mello ergueu esta casa, que segue o caminho do meio



Um dos maiores trunfos da construção: elevada a 1,20 m do chão, ela dispensa o aterro, que impermeabilizaria o solo






Para garantir a ventilação natural, além das aberturas grandes e bem localizadas, o arquiteto lançou mão de outros recursos: nos quartos, duas folhas pivotantes abrem-se totalmente




Travando a estrutura do telhado, uma sequência de réguas delgadas torna o conjunto visualmente leve e valoriza o pé-direito de 3 m. O assoalho interno exibe réguas de cumaru de segunda linha - não por serem de pior qualidade, mas porque muitos compradores as rejeitam devido a suas manchas claras. Cadeiras da Marcenaria Baraúna




Pilaretes de concreto isolam a estrutura de garapeira do contato com o solo. No telhado, uma subcobertura protege a madeira de vazamentos. Contra a umidade, aplicou-se ainda verniz da Sparlack. Apenas o deck de cumaru ficou ao natural

O QUE DIZ A LEI SOBRE AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
De acordo com a resolução 303 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que vigora desde março de 2002, está incluída nas áreas de preservação permanente a restinga, vegetação típica do litoral brasileiro e já quase extinta. Embora a resolução valha para todo o país, são poucas as faixas de litoral em que ainda há vestígios desse tipo de mata nativa.

Entre elas, está a praia de Itamambuca. Nessas áreas, fica proibido qualquer tipo de construção nos 300 m de areia contados a partir da faixa de máxima de preamar (ou maré alta). "Antes da lei, era permitido desmatar tudo. Agora, não se pode nem tocar nos terrenos", conta Eduardo Mello.

Até por isso, ele acredita que esses locais se tornarão alvos fáceis de ocupação clandestina. "Com as minhas casas, quis mostrar que dá para fazer uma transição entre poder tudo e não poder nada", diz. Se um lote está além dos 300 m, a construção é liberada, mas a Secretaria do Meio Ambiente impõe restrições quanto a sua ocupação. Eduardo vê com bons olhos essa medida, que preserva a mata nativa de forma muito mais eficaz. Mas, em sua visão, há outro ponto crucial: controlar também a implantação no lote, coibindo aterros que o tornem impermeável. Erguer a casa sobre palafitas, mantendo a areia sob ela, garante a permeabilidade do solo. "A Secretaria do Meio Ambiente deveria entrar mais no mérito do projeto", diz, enquanto segue construindo refúgios que servem como uma ótima lição.



fonte:planeta sustentável

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